Lancia ECV

Em Novembro de 1986, a Lancia mostrou no Motorshow de Bolonha um carro fora do vulgar…tratava-se do Lancia ECV (Experimental Composite Vehicle), uma viatura concebida para os ralis, segundo os regulamentos do Grupo S. Esta categoria tinha como objectivo substituir o Grupo B, dando liberdade aos construtores para desenvolver protótipos futuristas, que seriam utilizados no Campeonato Mundial de Ralis.

Para se realizar a homologação de uma viatura para o Grupo S, era necessário produzir 10 viaturas de homologação. No entanto, as viaturas de competição estavam limitadas a 1200cc e 300cv. Tal como o leitor atento poderá verificar, a categoria WRC do actual Campeonato Mundial de Ralis é bastante similar, sendo que a únicas alterações relativamente ao Grupo S são o aumento de 10 para 20 viaturas de homologação e  o incremento em 800cc da cilindrada dos motores…

Depois da morte de Henri Toivonen e Sergio Cresto, no Tour de Corse de 1986, a bordo de um Lancia Delta S4, o Grupo B e S foram cancelados e o Grupo A tornou-se a categoria principal do Campeonato Mundial de Ralis. Desta forma, todos os projecto das várias equipas foram cancelados, entre os quais, o Lancia ECV que vos apresentamos hoje.

Voltando ao Lancia ECV, a viatura era um passo à frente relativamente aos seus congéneres que competiam nas duras classificativas mundiais. Desenhado por Claudio Lombardi, utilizava fibra de carbono, kevlar, resinas termoplásticas, fibra de vidro e compósitos em forma de colmeia. Tratava-se sobretudo de um concept car desenvolvido pela Fiat, para teste das tecnologias compositas de última geração, recorrendo às mais recentes técnicas de CAD/CAM.

O ECV tratava-se sobretudo de um desenvolvimento do S4, possuindo o mesmo design básico (motor central e tracção às 4 rodas), em que muitos dos componentes foram substituídos por materiais compósitos, incluindo o principal elemento portador de carga (que incluía o monobloco), presente na estrutura do carro. Outras partes que utilizavam materiais compósitos eram as jantes (construídas pela Speedline, em conjunto com a Abarth, Enichem e IdC, sendo de 16″ e pesando apenas 6kg) e o eixo de transmissão.

O motor era outra grande inovação aplicada ao ECV. Tendo 4 cilindros e 1759cc (foi desenvolvido antes da limitação de 1200cc, imposta no Grupo S) utilizava um design denominado de Triflux. Segundo este design, existia uma saída de escape e válvula de entrada em cada um dos lados da cabeça de cilindros, sendo que o resultado era a existência de dois colectores de escape, cada um alimentando um turbocompressor (modelos K26, fornecidos pela KKK) em separado.

Desta forma, a baixas velocidades, um dos colectores estava fechado, forçando todos os gases do escape através do outro colector e turbo compressor, fornecendo bom desempenho a baixas velocidades e lag do turbo bastante reduzido. Quando a velocidade aumentava, o segundo colector ia sendo progressivamente aberto e o turbo compressor adjacente entrava em acção, até ao ponto em que os dois turbo compressores  ficavam a trabalhar em paralelo.

A potência final do motor rondava os 600cv às 8000rpm e 55mKg às 5000rpm, com a pressão máxima dos turbo compressores a situar-se nos 2,3 bar…valores bastante superiores aos disponibilizados pelo Lancia Delta S4.O peso do carro era de aproximadamente 930kg, conseguidos graças à utilização intensiva dos materiais compósitos, fibra de carbono e kevlar em toda a viatura, quer para redução do peso bem como para fortalecimento da sua estrutura.

Estima-se que a percentagem final de redução do peso em certas áreas  (como as jantes) chegou aos 40%, sendo que a poupança de peso na estrutura do carro terá atingido apenas 20%. Valores interessantes, tendo em conta o estado da arte da época…

Em resumo, o Lancia ECV estava pronto para competir, tendo uma série de testes sido realizados na época. No entanto, a trágica morte do principal piloto da Lancia acabou por levar ao cancelamento do Grupo B e S, prejudicando bastante a própria Lancia.

Apesar de todos estes factos e todo este árduo desenvolvimento, a história do ECV não ficou por aqui, tendo este sido refinado e melhorado, culminando no ECV2. Mas isso, é um outro capítulo…




%d bloggers like this: